domingo, 7 de outubro de 2007

Tire-me daqui se for capaz, o filme

por Freitas Netto

Nunca antes na história desse país o caso Renan se pareceu tanto com um filme “Hollywoodiano”.

Para quem acompanha minimamente o noticiário, já deve saber que o Senador Demóstenes Torres (DEM) é um arque-inimigo do Presidente do Senado, Renan Calheiros.

A sinopse desse filme é mais ou menos assim:

_________________________________________________________________

O vilão, Renan Calheiros, possui um tesouro, a cadeira sagrada da Senadolândia.
Porém, muitos segredos envolvidos podem acabar com a vida de Renan e tirá-lo do trono.
O justiceiro, Demóstenes Torres, irá usar todas as suas forças para que a justiça seja feita e que o reino de Senadolândia volte a ser um lugar bonito e limpo.
Mas, o nosso vilão irá fazer de tudo para que o seu trono não seja retirado.
Você verá, nesse filme, planos mirabolantes que envolvem espionagem e incriminações.
Não perca o filme do ano: Tire-me daqui se for capaz.

Breve, no noticiário mais próximo.

_________________________________________________________________

Você não está entendendo nada?

Dê uma olhada nessa manchete da Folha:

Assessor de Renan é acusado de espionagem

“Um assessor especial do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) tentou um plano para espionar os senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB), segundo disse à Folha o congressista do Democratas. "Eu tive notícias sobre isso, um amigo me contou." O amigo é Pedrinho Abrão, empresário e ex-deputado por Goiás.
Na segunda-feira, o assessor especial de Renan Francisco Escórcio, ex-senador pelo PMDB, encontrou-se com Abrão em Goiânia, no escritório do advogado Eli Dourado.
Segundo a Folha apurou, Escórcio queria ajuda de Abrão para grampear os telefones dos dois congressistas e fotografá-los embarcando em jatinhos de empresários da região.”

Esqueça essa história de pizza.

O negócio agora é comprar pipoca.

Sente-se confortavelmente na sua poltrona porque esse filme vai ser longo.

E o final pode não ser feliz.

4 comentários:

Renato Dering disse...

Simlplesmente otimo esse filme... e pode ate virar uma serie, onde o nosso 'heroi' não se cansará até que seu arqui-vilão seja punido. Contudo, ele sempre escapa... aguarde o fim desta temporada, pois novos capítulo virão...
heehhe
parabens muito bom mesmo!

Lucas Carvalho de Oliveira disse...

Realmente dá-nos essa impressão da dicotomia entre herói-DEMóstenes e vilão-Renan. Entretanto, essa narrativa western mudou um pouco nos últimos anos. Agora é mais fácil perceber que o jogo do poder partidário é mais complexo. Talvez uma ardilosa briga de vilões. Preferiria algo como "o poderoso chefão". E não é nenhum "sentimento niilista"...

Antônio de Freitas Netto disse...

Lucas....

...concordo plenamente com o seu comentário.
A briga ali dentro pode ser de grandes vilões mesmo.
Porém, me referia ao DEMóstenes (rs) como o "mocinho" da história devido ao fato dele estar enfrentando o arque-inimigo criado pela mídia.
Quando tiver um tempo olhe alguns artigos mais antigos, eu já publiquei um texto dizendo que nós temos uma cultura de "escolher" uma pessoa onde jogar a culpa de todos os problemas. A bola da vez é o Renan. Então, aparentemente, temos a impressão de que se o Renan sair do Senado, a Entidade será limpa e terá sua dignidade de volta.
Pelo menos eu e você sabemos que isso não é verdade!
A lama ali dentro respingou pra todos os lado.
Eu não boto a mão no fogo por ninguém. Nem pelo Demóstenes e muito menos pelo Marconi.
A briga ali realmente é do "Poderoso Chefão"...

Antônio de Freitas Netto disse...

O artigo que me referi a cima se chama "Mudando a história, com Renan Calheiros".
Quem tiver o interesse de ler: http://blogdadesordem.blogspot.com/2007/09/verdade-que-toda-sociedade-brasileira.html