Nesta semana foi realizado o primeiro leilão de carbono no Brasil e na América Latina, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).
O banco Belgo-holandês Fortis comprou os 808.450 créditos oferecidos pela prefeitura de São Paulo a 16,20 euros cada, totalizando 13,1 milhões de euros (R$ 34 milhões ao câmbio do dia do leilão, 26 de setembro).
Criado em 1997, quando foi aprovado o texto final do Protocolo de Quioto, o Crédito de Carbono propõe um equilíbrio nas emissões de gases do efeito estufa (GEE).
O peculiar do que é proposto por Quioto é a transformação da emissão de gases poluentes em mercadorias, mercadorias muito caras.
Os países que não conseguem atingir as metas de reduções de emissões de gases de efeito estufa, tornam-se compradores de créditos de carbono.
Já, aqueles países que conseguiram diminuir suas emissões abaixo das cotas propostas, podem vender o excedente no mercado nacional ou internacional.
Em um período de tentativa de conscientização da população mundial para os riscos eminentes da poluição, os grandes países brigam pelo direito de poluir. E brigam com uma de suas armas mais poderosas: o dinheiro.
No período da criação do Crédito de Carbono, há longínquos 10 anos, tudo bem se a filosofia era tentar não piorar, tentar não aumentar a emissão de gases poluentes.
Mas, hoje, o Crédito se torna uma vantagem rentável para os países que não conseguem diminuir as emissões, e que, sinceramente, não se mostram interessados em diminuir ou desenvolver uma política de conscientização.
O problema apenas muda de lugar, a poluição apenas muda de endereço.
Se São Paulo, ou qualquer outra cidade de um país em desenvolvimento, diminui as emissões de gases do efeito estufa, ótimo, isso deveria ser um alívio para a Terra.
O alívio, na verdade, é dos grandes poluidores atuais, que graças aos primos pobres do terceiro mundo, ufa, podem produzir mais, poluir mais e a todo vapor, literalmente.
Interessante seria se ao diminuir o total de emissões, um país pudesse vender só metade do que economizou. Assim faríamos, verdadeiramente, uma política de redução de poluição.
Mas, é claro que tal atitude é descabida para aqueles que dominam a economia mundial, e pouco estão interessados na responsabilidade social, na economia sustentável ou na preservação.
Enquanto nada muda, e acredito que ainda por muito tempo não mudará, continuaremos economizando daqui, para gastarem por lá!