segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A grande novela chamada CPMF

por Freitas Netto


A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) sempre dá “pano para manga”. É só ligar a TV ou abrir um jornal que ela está lá, sendo amplamente discutida.

Mas a coisa está piorando, pois, o prazo final para sua prorrogação está chegando e até agora o governo não tem maioria de votos no Senado para mantê-la até 2011.

O Lula deve estar desesperado. Imagine comandar um país com R$ 40 bi a menos de arrecadação por ano. Não é tarefa fácil.

Se a CPMF não for prorrogada, o presidente terá que aumentar outros impostos para compensar a arrecadação perdida. E garanto que isso não trará boa imagem para ele.

De um lado está o presidente Lula e do outro os senadores. Chega a ser engraçado o joguinho do “prorroga-não-prorroga”.

Lula já declarou a possibilidade de partir para o corpo-a-corpo com os senadores. Essa tentativa seria para convencê-los a votar a favor do governo.

E os senadores cobram isso.

"É importante o presidente da República conversar com alguns senadores”, declarou o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp.

E por falar em PMDB, essa é a grande dor de cabeça de Lula.

O partido tem a maior bancada no Senado e é fundamental para que a prorrogação da CPMF seja aprovada.

O problema é que o presidente promete o corpo-a-corpo com senadores, promete uma intensificação no diálogo com o PMDB, promete de enviar uma proposta de reforma tributária ao Congresso.

E adivinhe? Só promessas, pois, nada disso aconteceu até hoje.

Isso deixa os peemedebistas irritados.

O senador Valter Pereira, do PMDB, cogitava votar pela prorrogação da CPMF, mas, disse que agora está em dúvidas porque o governo não manteve a palavra com o partido.

Eles estão sentindo o gostinho da famosa promessa não cumprida, que o povo sente depois de todas as eleições.

O presidente interino do Senado, Tião Viana, do PT, admitiu que o governo está no prazo "limite" para conseguir aprovar a CPMF até o final do ano.

Os governistas trabalham para colocar a matéria em votação, no máximo, entre o Natal e o Ano Novo para que não comecem 2008 sem a arrecadação da CPMF.

Mas hoje, percebo que aquela sensação de certeza da prorrogação não existe mais.

Tanto que, na última segunda-feira, o presidente Lula considerou, pela primeira vez, a hipótese de perder a arrecadação do imposto do cheque.

Até o fim do ano, último prazo para a prorrogação, muita coisa ainda vai acontecer. O futuro do povo está nas mãos de tramitações políticas.

Mas, se pararmos para pensar, não faz a mínima diferença. Já que prorrogando ou não prorrogando a CPMF, nós é que vamos pagar a conta!

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