quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

E o povo disse “No”!

por Freitas Netto


Para nós, brasileiros, que acompanhamos a trajetória política de Hugo Chávez, é difícil acreditar como os venezuelanos têm tanta aprovação por ele.

Chávez é um político-militar que governa com mão-de-ferro.

Em 2000, quando foi eleito, por voto popular, criou um decreto, no qual, ele poderia aprovar leis sem que elas passassem pela Assembléia.

Ele mandou e desmandou. Demitiu pessoas de cargos importantes, colocando outras de sua confiança. Fechou emissoras de televisão, que o acusavam de tentar implantar o comunismo na Venezuela, dentre outras peripécias.

Atitudes tipicamente ditatoriais, mas que gerou descontentamentos de vários setores no país, inclusive dos militares.

Resultado: Chávez é pressionado a se demitir e acaba saindo do poder.

Em 2002, então, Pedro Carmona assume o poder. Uma de suas primeiras atitudes é dissolver a Assembléia Nacional.

Descontentes, militares fiéis a Chávez fazem um golpe e o trazem devolta a Caracas para governar novamente o país.

Em 2004, um referendo popular decide que Chávez continuasse no poder no lugar de Carmona.

E o mesmo acontece em 2006, quando Chávez é reeleito com quase 60% dos votos.

Chegamos a 2007. Chávez convoca a população venezuelana para votar o plebiscito que previa a mudança da Constituição do país.

Dentre as mudanças estariam: reeleição ilimitada, o poder total ao presidente sobre a política monetária e as reservas internacionais, restrição ao direito à informação e a escolha à vontade do vice-presidente.

Em resumo, Chávez queria poderes absolutos e o direito de silenciar a informação a população.

O povo deveria escolher o “Si”, caso quisessem a nova Constituição, e o “No”, caso contrário.

No dia 2 de dezembro, o povo disse “No”!

Foram 50,7% contra Chávez e 49,29% a favor. Um número que, na prática, divide a Venezuela em duas.

De um lado, os populistas que acham que Chávez é a melhor opção para a economia e administração do país.

Do outro, aqueles que entendem que meditas ditatoriais não são as melhores opções para o desenvolvimento de um país e de seu povo.

É bem verdade que desde 2004, quando Chávez assumiu o poder, a inflação na Venezuela era de 30% e, agora em 2006, a previsão é que ela entre na casa dos 13%.

Mas, nós não podemos culpar os venezuelanos de terem tanta aprovação pelo seu presidente.

No Brasil, nas décadas de 30 e 40, tivemos o nosso Chávez, que se chamava Getúlio Dornelles Vargas.

Ele dissolveu o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos, fechou meios de comunicação e implementou um regime ditatorial no Brasil.

Foram milhares de pessoas desaparecidas, mortas e torturadas nos porões da ditadura.

E mesmo assim, cinco anos depois, o senhor Vargas voltou aos braços do povo, eleito democraticamente.

Então, não venho aqui acusar ou culpar os venezuelanos pelo presidente que eles têm hoje.

Venho parabenizar a Venezuela por terem lutado contra um homem que possivelmente seria um ditador, caso a Constituição fosse alterada.

Parabenizar o povo venezuelano por terem gritado “NO” e evitado que uma história inaceitável como a de Getúlio Vargas se repetisse.

Pois, como dizem no meio jornalístico: “O direito à liberdade de expressão é o único motivo pelo qual devemos lutar até a morte”.

Um comentário:

Chantall disse...

O povo tem o governo que merece!!!