O caso da votação que livrou Renan Calheiros de suas acusações é um exemplo de como faz falta o voto aberto nas sessões do Congresso.
Em entrevista ao Jornal Anhanguera, o Senador Demóstenes Torres, de Goiás, fez uma declaração que me deixou mais indignado com a política.
Ele afirmou que no dia seguinte à absolvição de Renan foi feita uma pesquisa interna para saber quem havia votado a favor da cassação do Presidente do Senado.
De acordo com Demóstenes, a contagem chegou a quase 50 senadores, sendo que o resultado oficial foi que Renan recebeu 40 votos pela absolvição e 35 pela cassação.
Ou seja, existem muitos senadores mentindo que querem a saída de Renan, porém, na hora de dar o voto acabaram optando pela sua permanência.
E como nós, eleitores, ficamos? Será que aquele escolhido por você para nos representar no Congresso é um desses?
São perguntas que devido ao voto secreto não podem ser respondidas.
Nas próximas eleições, provavelmente, o seu candidato irá dizer que esteve contra a “sujeirada” de Renan Calheiros. Mas quem irá provar se é verdade ou mentira?
A situação parece estar mudando. Hoje, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou uma emenda que acaba com o voto secreto em todas as sessões do Congresso.
Mas calma! Para que a emenda seja aprovada, ela deve passar pelo Senado em dois turnos de votação e atingir um total de 49 votos a favor.
Depois, caso seja aprovada, a emenda ainda segue para a Câmara dos Deputados, onde também precisa ser aprovada em duas etapas.
O senador Aloizio Mercadante fez a seguinte declaração para a Folha:
“É um dos passos mais importantes para a transparência no Congresso. Essa é uma experiência que existe na maioria dos países democráticos. Finalmente demos esse passo”.
Realmente o primeiro passo foi dado. A sociedade tem o direito de saber se seus representantes estão correspondendo às expectativas dos eleitores.
Para que casos como a absolvição de Renan não aconteçam novamente.
E por falar
Se você viu uma pontinha de luz no fim do túnel, esqueça! Esse segundo processo provavelmente deve ser arquivado. Isso porque a única peça de acusação é uma matéria da revista Veja.
Até a oposição acredita ser difícil impedir esse arquivamento.
Em outra entrevista, dessa vez para o Estadão, o senador Demóstenes Torres declarou:
“Apesar da seriedade da representação (acusação contra Renan) é difícil reunir provas para sustentá-la sem o apoio dos dirigentes da Receita Federal e do INSS. Tudo o que está na reportagem é verdade, mas eu tentei e nenhuma das autoridades que passaram a informação quis falar".
Já que o senador Renan Calheiros está longe de qualquer tipo de punição, o jeito é torcer (e colocar pressão nos nossos governantes) para que o voto secreto seja extinto.
Transparência já!
Um comentário:
O senador Aloizio Mercadante decepcionou boa parte dos seus mais de 10 milhões de eleitores, ao se abster da votação e com isso dar força ao Renan.
Uma covardia que particularmente abomino mais que os votos a favor a tropa de choque do Renan.
Ele exerceu um direito democrático, assim como os votantes favoráveis, mas agiu pior, porque mascara sua vontade e dissimula o que realmente pensa.
Ao dar a declaração sobre a transparência, talvez se colocando como símbolo da moral, me fez dar uma estrondosa gargalhada...(de indignação!).
Postar um comentário