quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Primeiro passo para a transparência

por Freitas Netto


O caso da votação que livrou Renan Calheiros de suas acusações é um exemplo de como faz falta o voto aberto nas sessões do Congresso.

Em entrevista ao Jornal Anhanguera, o Senador Demóstenes Torres, de Goiás, fez uma declaração que me deixou mais indignado com a política.

Ele afirmou que no dia seguinte à absolvição de Renan foi feita uma pesquisa interna para saber quem havia votado a favor da cassação do Presidente do Senado.

De acordo com Demóstenes, a contagem chegou a quase 50 senadores, sendo que o resultado oficial foi que Renan recebeu 40 votos pela absolvição e 35 pela cassação.

Ou seja, existem muitos senadores mentindo que querem a saída de Renan, porém, na hora de dar o voto acabaram optando pela sua permanência.

E como nós, eleitores, ficamos? Será que aquele escolhido por você para nos representar no Congresso é um desses?

São perguntas que devido ao voto secreto não podem ser respondidas.

Nas próximas eleições, provavelmente, o seu candidato irá dizer que esteve contra a “sujeirada” de Renan Calheiros. Mas quem irá provar se é verdade ou mentira?

A situação parece estar mudando. Hoje, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou uma emenda que acaba com o voto secreto em todas as sessões do Congresso.

Mas calma! Para que a emenda seja aprovada, ela deve passar pelo Senado em dois turnos de votação e atingir um total de 49 votos a favor.

Depois, caso seja aprovada, a emenda ainda segue para a Câmara dos Deputados, onde também precisa ser aprovada em duas etapas.

O senador Aloizio Mercadante fez a seguinte declaração para a Folha:

“É um dos passos mais importantes para a transparência no Congresso. Essa é uma experiência que existe na maioria dos países democráticos. Finalmente demos esse passo”.

Realmente o primeiro passo foi dado. A sociedade tem o direito de saber se seus representantes estão correspondendo às expectativas dos eleitores.

Para que casos como a absolvição de Renan não aconteçam novamente.

E por falar em Renan... Ainda segue no Senado um processo contra seu presidente. Ele é acusado de tráfico de influência em favor da empresa Schincariol.

Se você viu uma pontinha de luz no fim do túnel, esqueça! Esse segundo processo provavelmente deve ser arquivado. Isso porque a única peça de acusação é uma matéria da revista Veja.

Até a oposição acredita ser difícil impedir esse arquivamento.

Em outra entrevista, dessa vez para o Estadão, o senador Demóstenes Torres declarou:

“Apesar da seriedade da representação (acusação contra Renan) é difícil reunir provas para sustentá-la sem o apoio dos dirigentes da Receita Federal e do INSS. Tudo o que está na reportagem é verdade, mas eu tentei e nenhuma das autoridades que passaram a informação quis falar".

Já que o senador Renan Calheiros está longe de qualquer tipo de punição, o jeito é torcer (e colocar pressão nos nossos governantes) para que o voto secreto seja extinto.

Transparência já!

Um comentário:

Anônimo disse...

O senador Aloizio Mercadante decepcionou boa parte dos seus mais de 10 milhões de eleitores, ao se abster da votação e com isso dar força ao Renan.
Uma covardia que particularmente abomino mais que os votos a favor a tropa de choque do Renan.
Ele exerceu um direito democrático, assim como os votantes favoráveis, mas agiu pior, porque mascara sua vontade e dissimula o que realmente pensa.

Ao dar a declaração sobre a transparência, talvez se colocando como símbolo da moral, me fez dar uma estrondosa gargalhada...(de indignação!).